Democracia é tolerância com o diferente

Atualizado: 21 de Ago de 2018


No último dia 22/02, cerca de noventa pessoas ligadas ao movimento suprapartidário Roda Democrática tiveram um encontro com o Ex-Presidente Fernando Henrique, no Instituto FHC, em São Paulo.

Aos 86 anos, Fernando Henrique se mantém atualizado  dos novos movimentos políticos do mundo. Fala sem nostalgia de ideias e do futuro. Leitor voraz citou entre outros, o novo livro do sociólogo catalão, Manuel Castells,  “Ruptura” que abordar a crise da democracia liberal.

Durante cerca de uma hora e meia, ele fez algumas análises precisas:

A democracia implica necessariamente em tolerância com o diferente. É preciso sempre ouvir o outro.

Ser progressista é uma visão de mundo, uma visão moderna, de quem entende as profundas mudanças pelas quais o mundo está passando.

Aa globalização e a tecnologia mudaram o mundo. A acumulação do capital se deslocou para as áreas das novas tecnologias. Hoje os novos milionários são do mundo digital, da criatividade, não da produção convencional.

A tecnologia é concentradora de renda o que aumentará mais a desigualdade social.

Grande parte da população do mundo inteiro  ficará a margem da produção de riquezas.

A sociedade antes se marcava pela divisão entre classes, e em geral os partidos políticos representavam ou tentavam representar cada classe social. A sociedade, hoje, se divide por questões identitárias – os negros, as mulheres, os LGTB. Como então fazer política, em um mundo dividido entre identidades diferentes, se política se faz com a tentativa de uniões?

A discussão política terá de permear todos esse segmentos.

Na estrutura política brasileira é preciso que o presidente da República saiba lidar com o Congresso. Quem não sabe lidar com o Congresso, cai.

Quando elaboramos a Constituição erramos em muitas coisas. Foi natural: depois da ditadura, só queríamos dar todas as liberdades.

O Brasil nos últimos anos parou, estancou na economia, na produção de riquezas, e se isolou do resto do mundo. Não acompanhou as mudanças da economia e deixou de ser importante para os demais países. Nem sequer para os países da América do Sul somos importantes.

O próximo governo será necessariamente de transição. O modelo que vinha até agora se esgotou.

Houve um desregramento geral do país, ao longo das últimas décadas, e isso tem a ver com a explosão populacional. Temos hoje 200 milhões de habitantes, e desregrou tudo. Hoje não se respeita mais o professor – na periferia, o professor corre o risco de apanhar dos alunos.

No atual governo, o Ministro Mendonça Filho tem um mérito na educação que é  a reforma do ensino médio.

Não é o PT, não é a esquerda que é forte no Nordeste – é a pobreza.

Nós estamos do lado da sociedade, e não do mercado.

A novela da TV Globo está à frente dos partidos políticos. Os partidos têm enorme dificuldade para falar dos problemas da vida, como, por exemplo, as drogas. (O aborto, a pena de morte.) O partidos têm medo do que é controvertido.

Política é o concreto. Tese é coisa de acadêmico.

O povo é pragmático – o povo sabe o que quer.

O líder não tem que seguir o povo – assim ele não é líder. O líder tem que ir junto com o povo, e ser capaz de mostrar ao povo como se conquista o que ele está querendo.

As práticas que eram usuais passaram  no passado hoje são consideradas crime grave – e isso é complexo. É necessário que a Justiça estabeleça o que é crime e o que não é crime, e as diferentes graduações.

Ética, violência, emprego. Esses serão os grandes temas da eleição de 2018.

 O perigo de agora é as pessoas que só querem ordem. Só ordem é Bolsonaro.

No mundo contemporâneo tudo aparece. Não dá para esconder nada. No meio de tanta fake news, a verdade sempre aparece.

Pesquisa recente mostrou que apenas quatro partidos são conhecidos dos brasileiros: PMDB,PT, PSDB e surpreendentemente , o PSOL.





  • Logotipo Facebook
  • Logotipo do YouTube
  • Logotipo do Pinterest
  • Logotipo do Instagram