Conheça a inglesa Amanda Harlech (aka braço direito de Karl Lagerfeld!)


A inglesa Amanda Harlech é tão intensa quanto plural: escritora, pintora, consultora criativa da Chanel e braço direito de Karl Lagerfeld há 21 anos, ela é um ícone com atitude que nunca sai de moda


Amanda é uma das pessoas mais próximas do estilista alemão e uma das figuras mais poderosas do mundo da moda: antes de Karl, trabalhou com John Galliano, até ele ser contratado pela Dior, em 1996. Ela é também escritora (estudou língua inglesa na Universidade de Oxford e se especializou na obra de Henry James) e pintora. E frequentemente é apontada como “os outros olhos de Karl” e musa da marca, já que veste as criações da Chanel com personalidade e elegância. “Adoro pensar que sou a pessoa mais próxima dele, mas há toda uma família: o Sebastian (Jondeau, segurança e assessor pessoal), a Caroline de Mônaco, a Charlotte Stockdale, a Katie Lyall, a Françoise, que cuida da Choupette...Karl tem grandes amigos que ele mantém bem perto. Há uma noção de lealdade e verdade nisso. A equipe de fotografia, por exemplo, é a mesma desde que eu comecei na marca. São os mesmos assistentes. Todo mundo é próximo a ele nesse sentido, mas talvez as pessoas o sejam de jeitos diferentes. Uma das formas, para mim, é por meio de livros, poesia, pintura e imagens”, conta. “Karl se inspira em coisas que observa. Pode ser a prega da sua saia, mas também algo que vê num livro. Acredito que para ele uma musa é alguém que lhe dê energia. Diria que, no meu caso, é algo mais intelectual. Sou fascinada pela forma como ele vê as coisas, pensa e se expressa. Nunca conheci ninguém tão bem, embora ele sempre me surpreenda em relação ao que gosta ou não gosta. Em um ano, verde é uma cor péssima, no outro não”, diz, enquanto come aspargos grelhados e toma uma sopa de legumes.


Amanda tem três livros de moda publicados (Amanda Harlech and Karl Lagerfeld Palazzo, de 2007; Visions and a Decision, de 2008, e Die Renaissance einer Stadt, de 2017), mas teve uma obra de ficção recusada por uma editora há dez anos, o que lhe causou grande frustração. “Escrever é a coisa mais difícil que existe. É como ter suas entranhas arrancadas pela boca. Não é uma experiência prazerosa como a pintura”, acredita. Mesmo assim, diz que sente que está chegando a hora de retomar o assunto: “Tenho meu estilo, e o editor na época não respeitou isso; ele pensou que eu não fosse uma escritora séria, que era uma pessoa superficial da moda que não poderia escrever. Imagine ter que reescrever um romance inteiro? Mas eu o farei”, promete. “Isso acontece muito com a pintura, e começo a sentir que agora vou escrever sem olhar para trás, porque a pior coisa é tentar me ater a algumas formas do passado. Agora entendo melhor o que quero dizer.”

O livro, diz ela, é autobiográfico até certo ponto e conta a história de uma jovem que se apaixona por um homem que ela não conhece de verdade. O enredo se passa uma semana depois do casamento dos dois, com flashbacks de como eles se conheceram. “É sobre como é impossível saber tudo sobre alguém que você ama. Gostaria de pensar de modo contrário, mas pode-se conhecer seu amor ou seus filhos e ainda assim não os conhecê-los por inteiro, sempre há algo a mais”, diz ela, que é mãe de Jasset David e da modelo e atriz Tallulah, de seu casamento com Francis Ormsby-Gore, barão de Harlech – de quem ganhou o sobrenome e o título de lady.



Vestido de tweed com penas (a partir de R$ 247.910) (Foto: Julian Torres)


Entre os vários mundos que Amanda habita, questiono se e onde eles se encontram com o de Coco Chanel. Ela para, pensa e dispara: “Somos morenas, independentes, não tivemos muita sorte com os homens (risos), temos um estilo tomboy. Entendo totalmente a praticidade dela, a lógica da vestimenta, um estilo masculino vestido por uma mulher. Ela é tão relevante em tantas frentes, mas o que é brilhante sobre Coco é que ela entendia as mulheres. Isso é muito importante para um estilista: enxergar o ponto de vista feminino sobre as roupas”.

Este senso Amanda tem de sobra – assim como amor pela moda. Por isso, ela clama por mais ocasiões para poder tirar do closet seus modelos de alta-costura (por contrato, a cada estação ela ganha um look da Chanel. Faça as contas quantos são depois de 21 anos na marca...) “Não tenho uma vida que dê para vestir haute couture todos os dias, mas é glorioso poder usar um vestido no qual você se sente fantástica. Torço para que o Karl faça uma festa em sua casa em Paris só para eu poder exibi-los. Não ligo se só tiver cinco pessoas! Já cheguei a tentar usar para trabalhar, mas a roupa amassa muito e não dá para ficar sentada em um estúdio durante seis horas”, diverte-se.

Nome certo nas listas das mais bem-vestidas de qualquer evento, muitas vezes Amanda usa peças de desfiles e lembra que, por conta disso, já passou alguns embaraços fashion: “O molde pode não ser tão confortável ou você pode perceber que o que está vestindo não foi lavado antes!”. E para caber em peças tão pequenas, qual é o segredo? “Comer pouco, porque elas são minúsculas mesmo. Às vezes, não consigo. Nós sempre podemos ser mais magras, mas também não temos 16 anos e precisamos de energia para fazer as coisas. Acho que sou bem saudável em relação à comida, só não sou tanto em relação ao vinho.” Engrenamos no papo de alimentação e logo aprendo com ela que não se deve comer no avião para não chegar inchada ao destino. “Só tome água com limão e uma ou duas taças de vinho.” Receita anotada e já aplicada no voo de volta ao Brasil – afinal quem não quer ser como Amanda?


Leia a matéria completa em: https://vogue.globo.com/moda/moda-news/noticia/2018/08/conheca-inglesa-amanda-harlech-aka-braco-direito-de-karl-lagerfeld.html

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